Quem somos

No início da década de 1990, o Brasil passava por uma mudança de comportamento social, tornando visíveis uma série de ações contra os povos de matriz africana que, embora praticadas desde sempre, ocorriam de forma velada. Naquele momento, todas as iniciativas para agregar e defender os povos de matriz africana estavam pulverizadas em instituições que atendiam a demandas políticas e não alcançavam grande parte da comunidade. A maioria dessas pessoas permanecia desassistida pelas políticas públicas vigentes naquele período histórico.

Entre 1990 e 1995, o Brasil vivenciava um momento de reestruturação democrática e maior atenção às políticas públicas voltadas para a promoção da igualdade racial e valorização das culturas de matriz africana. A Constituição de 1988 havia estabelecido o combate ao racismo como um princípio fundamental, e políticas como o fortalecimento do Movimento Negro Unificado (MNU) e a criação de programas educativos e culturais buscavam preservar a memória e a identidade afro-brasileira.

No entanto, essas iniciativas eram ainda incipientes e enfrentavam desafios estruturais e institucionais para sua efetivação em diversas localidades. Nesse contexto, a criação da União dos Povos de Matriz Africana de Camaçari (UPAMC), em 1992, foi um marco visionário para o município de Camaçari, na Bahia. A instituição não apenas reconhecia a relevância da cultura afro-brasileira para a região, mas também se posicionava como pioneira na articulação e defesa dos direitos sociais, culturais e religiosos dos povos de matriz africana, inspirando outras iniciativas em um período em que políticas públicas específicas ainda estavam em estágio inicial no Brasil.

Nesse momento do desenvolvimento da sociedade brasileira, inicia-se em Camaçari, no ano de 1992, um movimento para a criação de uma instituição que tivesse como objetivo lutar contra as práticas de segregação social e discriminação das religiões de matriz africana, além de promover a valorização das crenças ancestrais já estabelecidas no país. Essas crenças, anteriormente submetidas ao viés do racismo e da segregação social, precisavam de defesa, assim como as religiões de matriz africana, as pessoas negras e outras minorias do município de Camaçari.

Dessa forma, no ano de sua fundação, em Camaçari, com uma visão sofisticada de um futuro pautado em políticas que trouxessem melhorias para a vida das pessoas de matriz africana e grupos de minorias, foi instituída a UPAMC. Seu objetivo era congregar todos os terreiros de candomblé do município, promovendo uma união voltada para a criação de políticas que beneficiassem essas comunidades e colaborassem na luta contra o racismo institucional e as intolerâncias religiosas.

A UPAMC, uma entidade sem fins lucrativos, foi organizada com o propósito de trazer benefícios à sociedade de matriz africana de Camaçari. Estabeleceu-se como referência para outras instituições que surgiram posteriormente em diversos municípios e estados. Sendo a única instituição declarada de utilidade pública no município desde a Lei nº 257 de 1993, desempenhou um papel fundamental na criação do primeiro Conselho de Igualdade Racial de Camaçari. Ainda hoje, a UPAMC mantém sua relevância, contribuindo com conhecimento e ações para uma sociedade que evolui e se transforma de maneira acelerada.